Tenho acordado pensante sem qualquer ideia fixa relevante,
somente a de sumir do mundo fantasioso do afeto, do amor repressor e da
angústia de estar viva em um mundo onde não posso necessariamente viver –
falta-me o dom de ser feliz com o que tenho e buscar o que não quero para poder
pisar no mesmo chão que as outras pessoas com harmonia e gratidão.
Se é o caos que governa o meu ser (que não transparece isso,
não deixa ver – mas está lá) devastando as possibilidades de cura espiritual
num mundo que se diz moderno mas que ainda se encontra exposto aos moralismos e
bons costumes de eras remotas. Onde estão os heróis? Esses vêm e vão e não
deixam herdeiros – deixam uma saudosista impressão de um possível encalço. Mas
o que foi feito, foi feito. Agora vem o novo, o inédito, o capítulo seguinte a ser escrito. Mas deixe de lado o
mundo, vamos falar de mim.
Tenho dormido cheia de desejos, sonhado singularidades por
vezes horripilantes e por vezes proibidas. Que quer meu inconsciente dizer com
isso? Fuja! Fuja para longe e escreva seu novo capítulo. Faz o que tem de ser
feito e que poucos têm a intrepidez de fazer.
No dia seguinte a maré sobe e o mar toma toda a praia para
si. Os peixes nem sabem que estão lá. Eu estava deitada na areia pensando numa
solução para sair das minhas pequenas emboscadas mentais criadas por mim mesma
(e pelos outros) enquanto a vida me dava tchau da outra extremidade da orla. A
onda veio e me arrastou para o nada – para o fim.